Banho radicalizador

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
01 Março 2010 - 00h00

Domingo, 17 de janeiro de 2010, às 19h30: o grupo de 30 pessoas formado por integrantes dos Doutores Cidadãos e Encantadores, grupos de voluntários do Canto Cidadão1, chega à sede da organização.

Após um dia intenso de percepção, ação e sensação, o chuveiro se abre e acontece um banho radicalizador. Radical como a raiz, origem deste adjetivo.

Domingo, 17 de janeiro de 2010, às 7h30: o grupo deixa a sede da organização com destino a São Luiz do Paraitinga, município localizado a 170 quilômetros da capital de São Paulo. O objetivo, possível pretensão, era circular pelas ruas da cidade com os personagens palhaços distribuindo palavras, gestos, sorrisos e olhares aos moradores e voluntários que trabalhavam pela recuperação do local, castigado pelas fortes chuvas do início do ano. A altura da água ultrapassara os fios da rede de energia, deixando marcas de lama nas paredes das casas e emoções latentes em todos os moradores e visitantes.

Este tipo de banho até pode ser tomado com água morna ou quente. Contudo, a temperatura confortável muitas vezes impede o indivíduo de perceber as oportunidades de radicalizar em suas atitudes. A escolha da água fria desafia o lugar comum, cria oportunidade de arrepios e despertares. Radical: palavra oriunda do latim “rádis”, raiz. Mais seres radicalmente éticos, condição indispensável para qualquer esperança de civilidade.

Os voluntários conquistaram o seu espaço em um cenário desafiador, interagindo com idosos, adultos e crianças. Muitos outros protagonistas sociais também estavam por lá executando tarefas variadas. Nos locais de triagem das doações, a quantidade de mantimentos era a prova inequívoca da capacidade de ação solidária que o povo brasileiro possui. O potencial está latente, ainda que reativo. De que tamanho (especialmente no campo moral) poderá ficar este país quando a reação virar ação consciente e regular, antecipando os problemas com o olhar atento e protagonista.

No primeiro momento que a água fria atinge a nuca, o corpo inteiro estremece e rapidamente vem o desejo de acionar a torneira quente, restabelecendo a sensação confortável. Mas o enfrentamento da nova e adversa condição conduz a pessoa ao momento seguinte, em que a cabeça se ergue e a face passa a receber as gotas de aviso: desvendar de oportunidades.

A expedição social a São Luiz do Paraitinga comprovou o poder do gesto, da ética gentil em ação. Assumir o compromisso individual possível e diário da civilidade e gentileza em cargas crescentes em função dos desafios prementes. Momentos antes do retorno à capital, para onde os olhos mirassem era possível ver narizes vermelhos colorindo rostos e acendendo olhares2. Que venha um novo tempo para esta cidade e seu povo. Que venha um novo tempo para a família humana (resultante muito mais de direção correta que alta velocidade), que tem consigo o potencial. As tragédias têm o potencial de revelar este poder incubado em nossa espécie, o que desnuda a maior tragédia de todas: a necessidade delas para despertar a verdadeira boia de resgate que cada um carrega consigo. Ser voluntário é antecipar-se à tragédia, construindo aos poucos e sempre para não ter de reconstruir às pressas. Saúde e paz ao povo de Paraitinga.

O banho chegou ao fim. Banho radicalizador tomado de água fria. A torneira é fechada. Quem toma este banho verdadeiro deixa de ser a vítima dele. Passa a ser nova torneira, despertando atitudes por onde passa.

 

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