Ceder horas ou não ceder, eis a questão

Por: Revista Filantropia
01 Julho 2012 - 00h00
Pode ser por meio de pesquisa, de escuta nos assuntos que percorrem os corredores ou diretamente em uma reunião. Quando o tema voluntariado começa a fazer parte da cultura organizacional, imediatamente a questão de liberar horas de trabalho para atividades voluntárias ganha espaço.
Perguntas com um cunho de “toma lá da cá” também podem surgir, como: “para ser voluntário dentro do programa da empresa, o que vamos ganhar?”. Claro, nem todos querem ganhar algum benefício, principalmente aqueles que já têm afinidade com as questões sociais, mas o pensamento de “troca” faz parte do jogo institucional. Por isso, é importante deixar claro desde o início de um programa de voluntariado qual será a contrapartida da empresa, não deixando espaço para dúvidas ou suposições.
Isto passa também por deixar claro o motivo pelo qual a empresa quer promover o voluntariado, e quais ganhos está vislumbrando neste trabalho. Uma relação verdadeira somada a capacitações sobre o tema e gestão de grupos, aliada ainda à clareza dos objetivos do programa e das contrapartidas da empresa, são os remédios principais para acabar com as dúvidas e a falta de entendimento sobre o que é voluntariado empresarial.
Assim, a questão ligada à empresa dever ou não ceder horas passa inicialmente pela clareza na comunicação e no envolvimento das pessoas na construção do programa de voluntariado, criando uma cultura de multiplicadores da causa. Quando você constrói junto, as perguntas que envolvem o “toma lá dá cá” ganham respostas dos próprios voluntários que ajudaram a criar o programa, garantindo assim legitimidade, espaço e credibilidade na cultura organizacional.
O trabalho de um profissional tem como um dos pilares a remuneração. Na atuação voluntária, isso não acontece. Deste modo, é importante sustentar outras pontes que ligam as pessoas às iniciativas sociais. Como não é a lógica do dinheiro que faz o voluntariado acontecer, a decisão sobre cessão de horas pode ser resolvida de acordo com a necessidade real dos envolvidos pelo programa. Se for uma estratégia para engajar mais pessoal ao voluntariado na empresa, pode ser aplicada logo no início, já mencionando quais as regras para isso. Se a decisão for possibilitar outras estratégias, como: capacitações, espaço e infraestrutura para planejar as atividades, espaço para network etc., a questão de horas não precisa ser colocada, podendo ser negociada caso a caso, dependendo das atividades planejadas pelo programa.
São muitas as variáveis existentes para responder a esta pergunta. Tudo é uma questão de escolha, de estratégia. O Centro de Ação Voluntária de Curitiba, em suas consultorias, sugere que a empresa não ceda horas como algo formal. Tem como foco esperar quais as reais necessidades para, a partir de então, avaliar como liberar horas. Alinhada com atividades, a cessão de horas fica mais fácil para gerentes, coordenação e colaboradores voluntários.
Escolhas e estratégias são decisões individuais. Não é possível responder a todas as empresas qual é a melhor a ser seguida, não existem fórmulas prontas quando se fala em promoção do voluntariado. Existem, sim, expectativas e formas de alcançá-la. Observar a realidade, conversar sobre ela e decidir ainda é a melhor forma de fazer a escolha mais assertiva.

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