Discursos perigosos

Por: Carlos Ferrari
21 Agosto 2013 - 00h50

Você já deve ter se deparado com aquela figura que adora contar sobre o que tem feito de bom pelos seus próximos, pela humanidade como um todo e até pelo planeta.
Geralmente, são pessoas acima de qualquer questionamento e fáceis de encontrar em festas, velórios, filas ou que até mesmo acabamos conhecendo em meio a um compromisso de trabalho. Mas o fato que sempre se repete é que tal personagem fala com a propriedade de quem é, nada mais nada menos, do que o fã número 1 de si mesmo. Até aí, nenhum problema, mesmo porque está na moda dizer e cantar: “esse cara sou eu”.
Mas esquecendo-se um pouco do ingrediente (alto nível de autoestima), há outro aspecto nessa história que, infelizmente, na maior parte das vezes, acaba passando desapercebido. Refiro-me aos discursos, que mais do que uma atitude que possa ser questionada ou até mesmo considerada pedante ou engraçada, traz uma série de equívocos e preconceitos que reforçam paradigmas totalmente avessos a uma sociedade mais justa, solidária e verdadeiramente democrática.
A ideia de trazer para nossa conversa tal reflexão não tem por objetivo culpar portadores de tais discursos, mas sim discutir os danos que essas falas repetidas podem produzir em nossa caminhada para conquistarmos melhores patamares de cidadania.
Comecemos tomando, por exemplo, aquele seu amigo que sempre fala de peito estufado, mais alto do que de costume, para que ninguém possa deixar de ouvir: “eu não jogo lixo pela janela do carro e, na praia, eu posso dizer, com orgulho, que jamais deixei qualquer tipo de sujeira”.
Também tem aqueles que, a cada encontro, não perdem a oportunidade de relembrar as velhas boas ações. Contam de novo a história do dia em que ajudaram aquele “ceguinho” a atravessar a rua e o momento da abdicação do lugar no ônibus para aquela gestante que ninguém havia notado.
Compartilhar o que temos feito de bom é sempre muito adequado, porém o problema pode estar na forma de se fazer isso. Tais colocações por vezes, transformam obrigações básicas de um cidadão em grande virtude a ser exaltada.
A mídia em geral replica essa postura, muitas vezes, reverenciando determinadas personalidades públicas, como artistas, políticos e empresários, pelo simples fato de terem uma conduta honesta em seu ramo de atividade.
Nessa linha, temos como exemplo parlamentares que participam assiduamente de suas atividades. Vejam que, além da justa remuneração e do privilégio de terem sido reconhecidos e eleitos como representantes legítimos por seu povo, pelo simples fato de não se ausentarem com frequência do trabalho acabam entrando em rankings de conceituados jornais e revistas, que colocam o cumprimento de tal dever como grande diferencial.
Os discursos que exaltam obrigações básicas são danosos pela confusão, que transforma compromissos de cidadania em virtudes classificadas como raras. Tais falas também atentam contra o espírito de solidariedade, essencial para que possamos atingir avanços na conquista de níveis cada vez mais elevados de civilidade.
Há quem diga que, em dias de tanta notícia ruim, cabe sim exaltarmos boas atitudes. Pessoalmente concordo. Porém, talvez nos esteja faltando ressignificar nossos critérios, afinal de contas, chega a ser piegas ouvir uma empresa aérea se vangloriando por cumprir o horário em boa parte de seus voos.
Celebremos grandes feitos e contemos com naturalidade nossas boas histórias do dia a dia. É sempre bacana lembrar de Sêneca, que nos brindou com a seguinte reflexão: “a virtude, embora oculta, deixa seus vestígios para quem dela é digno”.

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