Lars Grael

Por: Thaís Iannarelli
01 Maio 2010 - 00h00

Atleta brasileiro reconhecido internacionalmente, Lars Grael começou a velejar cedo no Rio de Janeiro graças à sua família, que já era apaixonada pela vela. Ao mudar-se para Niterói, tornou-se proeiro (tripulante localizado à proa da embarcação) de seu irmão, Torben, na classe Snipe. Assim, conquistaram os títulos de bicampões brasileiros e campeões mundiais. Mais tarde, com o catamarã olímpico, Lars conquistou diversas medalhas: além das duas de bronze – uma em Seoul, em 1988; e outra em Atlanta, em 1996 –, foi pentacampeão sul-americano e dez vezes campeão brasileiro. Também representou o país nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e em Barcelona, em 1992. Em 2009, 11 anos após ter sofrido um acidente que causou a amputação de sua perna direita, Lars voltou a integrar a Equipe Permanente de Vela Olímpica e a competir nas classes Star e Oceano.

Além do esporte, Lars também se envolveu com a política, fazendo parte do Instituto de Desenvolvimento do Desporto (Indesp), uma autarquia ligada ao então Ministério do Esporte e Turismo. Depois, a convite do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ocupou o cargo de secretário nacional de Esportes no governo FHC. Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual da Juventude, Esporte e Lazer em São Paulo.

Como conselheiro do Instituto Rumo Náutico, criado em 2000, Lars e outros membros de sua família colocam em prática a atuação social ensinando sua paixão: o esporte.

Revista Filantropia: Como surgiu a ideia de criar o Projeto Grael, atual Instituto Rumo Náutico?

Lars Grael: Sempre tivemos a sensibilidade social e nunca aceitamos que a vela, que é um esporte popular em vários países, fosse considerado de elite no Brasil. Buscávamos formas de democratizar o acesso à prática da vela. Então concebemos o Projeto Grael, que visava a levar o esporte para jovens da rede pública de ensino e de comunidades carentes de Niterói. Aprendemos muito com o projeto. No começo, era só uma escolinha de vela. Depois, ensinamos os jovens a nadar e entramos no campo da educação ambiental. Hoje, já com o nome Instituto Rumo Náutico, já atendemos mais de 9 mil jovens. Passamos também a pensar no ensino técnico profissionalizante, ou seja, muito mais do que a perspectiva de formar um velejador de profissão é formar um jovem com consciência ambiental, com cultura náutica, capacitado para o mercado que, hoje, é promissor, crescente e carece de muita mão de obra especializada.

RF: Quantas crianças e jovens são atendidos pelo projeto?

LG: Nesse momento atendemos aproximadamente 450 jovens em Niterói e cerca de 200 em Maricá, município do Rio de Janeiro. Estamos expandindo a área de atuação. Temos a perspectiva de implantar núcleos em cidades do Rio Grande do Sul, no Guarujá, em São Paulo, em Paraty e Piraí, no Rio de Janeiro. Porém, nossa sede é mesmo em Niterói, onde conseguimos manter a base pedagógica, educacional, esportiva e ambiental.

RF: Qual é a importância do esporte para o desenvolvimento pessoal dos jovens?

LG: O esporte forma o caráter levando valores físicos, éticos, morais, assim como a disciplina, o respeito às regras e ao meio ambiente. Ensina o jovem a ser competitivo, mas também o ensina a lidar com a derrota e a aprender com ela. Além disso, abre essa perspectiva profissional muito importante, ainda mais para um país que vai vivenciar, em um curto espaço de tempo, Jogos Mundiais Militares, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, que é o principal evento.

RF: Quais são os resultados positivos alcançados pelo projeto?

LG: São muitos. Temos árbitros internacionais que são jovens oriundos do Projeto Grael, há jovens que concluíram o ensino superior, árbitros de regata, marinheiros de convés, comandantes de lancha, outros trabalham em estaleiros, na frota pesqueira, ou já têm títulos nacionais de vela. O Projeto Grael também inspirou o Projeto Navegar, que pude implantar quando fui secretário nacional de Esporte, de 1999 a 2002. Parte desses núcleos ainda atua pelo Ministério do Esporte.

RF: Qual é a sua opinião sobre a atuação conjunta dos três setores da economia?

LG: Acho que é muito importante, porque de um lado a iniciativa privada coloca dinheiro e acredita em projetos que têm credibilidade. O Terceiro Setor precisa se organizar, ter uma administração profissional e absolutamente transparente. O governo, sobretudo, é um grande apoiador quando participa com os incentivos fiscais, por exemplo.

RF: Como você vê a área social no Brasil hoje?

LG: Acho que no país como um todo mudou muito. O Brasil saiu de um modelo meramente assistencialista, e isso veio de uma articulação do Terceiro Setor. Acho que uma das precursoras para isso foi a ex-primeira dama, Ruth Cardoso. Ainda temos dificuldade em separar a boa filantropia da “má” filantropia, mas no esporte conheço vários exemplos de projetos bem-sucedidos de atletas olímpicos ou paraolímpicos que dedicam parte de sua vida à ação social. O esporte é um instrumento poderoso de inclusão social, de valorização da juventude e perspectiva de ascensão social e profissional. O Terceiro Setor tem esse papel, porque o governo não consegue fazer isso sozinho com programas governamentais. Eles muitas vezes são interrompidos pelas mudanças governamentais, então são descontinuados. Nós, no Rumo Náutico, conseguimos sobreviver, e hoje temos prêmios internacionais, somos reconhecidos pela International Sailing Federation (Federação Internacional da Vela).

RF: Como os atletas podem servir de modelo para as crianças e jovens do país?

LG: Nós levamos exemplo, representamos uma influência forte na juventude, somos formadores de opinião. Então, essa responsabilidade é grande. Qualquer deslize ou erro pode influenciar negativamente. Uma ação positiva, sobretudo levando nosso exemplo tático, conhecimento técnico, com uma bagagem socioeducacional, pode impactar muito, ou seja, é a sociedade se organizando, articulando com a iniciativa privada, com o governo, para fazer a nossa parte para construir um país melhor.

 

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