Modernidade na gestão social

Por: Valdir R. Borba
01 Setembro 2004 - 00h00

A construção do futuro na área de Administração Empresarial iniciou-se há menos de 20 anos, com uma sensível transformação que se consolida nesse início de século, com o desenvolvimento de gestão com pessoas e modelos holísticos, que primam pela multipluralidade, intersetoriedade e transdisciplinariedade profissional, com novos métodos e abordagens ousadas, inovadoras e não ortodoxas.

Essa mudança é algo sutil que está à frente dos métodos e modelos convencionais e foi buscar, na mudança interior, na reengenharia íntima dos homens, formas para alterar e desenvolver as organizações empresariais.

"A organização muda com a evolução interior do homem, pois considera a capacidade de adaptação humana e de flexibilização comportamental fator primordial para o desenvolvimento e efetividade dos processos. É, portanto, um aperfeiçoamento constante do homem e de suas organizações sociais" - com isso, não apenas o homem, mas a própria organização aprende, num continum processo de aprender a aprender.

O desenvolvimento organizacional e empresarial e a evolução da sociedade estão no equilíbrio e na harmonia dos valores entre os homens, sistemas e organizações, em uma simbiose pró-ativa de ''organizações vivas'', ou ''sistemas sociais vivos''. Esta é a chave. Sistema vivo e integrado de inter-relacionamento e a interdependência de objetivos e valores entre o trabalho, as organizações, o homem e a sociedade, sempre de forma política e socialmente correta.

Os modelos de administração tradicionais e arcaicos, forjados por princípios mecanicistas, racionais e cartesianos estão cedendo seus lugares para os novos conceitos de modernidade empresarial, formatados nos modelos humanos de administração. ''A empresa e/ou organização devem ser a cara e os sentimentos de quem as dirigem.''

A abordagem é humana e as organizações humanizadas, passando-se a valorizar os seguintes itens: informação; intuição; conhecimento; sentimento; agregação; criatividade; inteligência emocional; pensamento holístico, sistêmico e pró-ativo; integração; parceria e, principalmente, a fidelização dos personagens.

Nesse novo modelo, são fortalecidos os relacionamentos, o comportamento, as equipes, a ética e o respeito, abrindo-se mão das vaidades, da prepotência, das verdades prontas e das incorreções e disfunções político-sociais. Desse modo, a responsabilidade das empresas e organizações evolui, passando do requerimento social para o requerimento essencial. O importante não é parecer correto, mas ser correto e íntegro, inclusive com a natureza e com o meio ambiente. A organização empresarial deve ser a resposta essencial para o desenvolvimento da sociedade.

Esse novo modelo, embasado no método de Learning Organization, é, na realidade, um processo de aprender a aprender, ou seja, de repensar a atuação, ou ainda de redirecionar os valores para integridade ética nos processos administrativos e nos objetivos da empresa em seus relacionamentos e interações.

As rápidas mudanças no mundo, economicamente globalizado, impõem renovação tecnológica e exigem acelerada adaptação humana ao trabalho e ao mercado em geral; portanto, é preciso renovar conceitos, princípios, culturas e demandas. A velocidade das mudanças é tamanha que equivale a reinventar-se a cada três anos. Assim, o líder moderno é, antes e acima de tudo, um educador e reformador de conceitos e culturas.

Esse novo e moderno líder deve ser difusor do empowerment, preparando indivíduos para agirem num processo de delegação e gerência participativa. Conseqüentemente, esse novo líder formatará a nova organização.

The Learning Organization é, antes de tudo, um comprometimento na geração de resultados saudáveis e de responsabilidade essencial perante a sociedade a que serve; por isso, impõe o engajamento de todos no processo, do topo à base da organização, do presidente ao mais modesto dos colaboradores, onde todos se esmeram em ensinar e aprender. Todos contribuem com todos no aprendizado de aprender a aprender.

Somente teremos excelentes empresas se tivermos excelentes homens. A excelência do caráter deve preceder a excelência do profissional. A qualidade é pessoal e a excelência do trabalho é fruto da qualidade do homem no trabalho.

Na área filantrópica, as organizações que a integram, como escolas, centros formadores, núcleos de recuperação, readaptação e ressocialização, hospitais e Santas Casas, são entidades tradicionais, geralmente formadas por grupos religiosos ou de etnias, com características de irmandades, algumas delas fechadas ou restritas. Elas trazem os valores culturais de épocas longínquas, o que demonstra respeito e efetividade aos valores mais tradicionais e culturais. Entretanto, ao lado desse respeito e longevidade, muitas dessas entidades encontram-se ainda, infelizmente, no modelo antigo e desgastado, alicerçadas mais na fé e na abnegação de poucos do que no apoio e na responsabilidade da sociedade.

A tradição e a cultura são valores fundamentais na estruturação e sustentação da sociedade. No entanto, é preciso modernizar a administração, essencialmente das organizações sociais para que possam acompanhar e sobreviver nos novos e modernos tempos.

O voluntariado, a dedicação, o desprendimento e o trabalho social e comunitariamente organizado são bases para a solução dos grandes problemas da sociedade e, para isso, são imprescindíveis a qualidade, a excelência, a competência e o profissionalismo em seus processos e sistemas.

O rejuvenescimento dessas entidades filantrópicas passa pela modernidade de seus sistemas e processos de gestão, com obrigatoriedade de planejamento estratégico e social, plano de ação, qualificação de pessoas e profissionais, reestruturação organizacional, controle e avaliação social, agregação de valores, profissionalização, comprometimento sócio-comunitário e empresarial, responsabilidade essencial e otimização de resultados.

O novo conceito de filantropia está na participação de empresários e da sociedade em geral no processo de formação e manutenção de organizações sociais e associações dedicadas à solução dos problemas sociais das diversas áreas, mediante a auto-sustentação pela geração de recursos da prestação de serviços.

O Terceiro Setor é o caminho com endereço certo para a solução das crises da atualidade e o seu fortalecimento é a saída viável e inteligente da sociedade para humanidade; por isso, as áreas de educação, saúde, trabalho, formação profissional, nutrição, meio ambiente e principalmente de recuperação e promoção da pessoa são naturalmente objeto dessas novas organizações, em que o objetivo é o homem.

Ou essas organizações do setor social filantrópico mudam rapidamente ou ficarão à margem do processo. Para isso, é preciso renovar e rejuvenescer.

O desenvolvimento organizacional e empresarial e a evolução da sociedade estão no equilíbrio e na harmonia dos valores entre os homens, sistemas e organizações

É preciso modernizar a administração, essencialmente das organizações sociais para que possam acompanhar e sobreviver nos novos e modernos tempos

Valdir R. Borba. Autor do livro Marketing de relacionamento para organizações de saúde: fidelização de clientes e gestão de parcerias - Editora Atlas, 2004. Docente de Marketing de Relacionamento no MBA de Gerência em Saúde da FGV - Management.

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