Mudanças climáticas na agenda global

Por: Revista Filantropia
01 Maio 2011 - 00h00
Existem várias consequências do aquecimento global que já são sentidas em diferentes partes do planeta, como o aumento da intensidade de eventos climáticos (furacões, terremotos, tsunamis, tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca ou deslizamentos de terra). O caso mais recente foi no Japão, em março deste ano, que enfrentou o maior terremoto de sua história, de 9 graus na escala Richter, seguido por um tsunami devastador. Outros exemplos de terremotos considerados os piores desastres naturais foram em 1960, no Chile, de 9,5 graus na escala Richter, e em 2004, no sudeste asiático, próximo à ilha de Sumatra, na Indonésia, de 9,2 graus, ambos também seguidos de tsunamis que acabaram causando mais riscos do que os terremotos em si.
Esses são apenas alguns exemplos entre vários outros que o planeta vem enfrentando. Mais próximo da realidade brasileira, existem atualmente 500 áreas de risco de deslizamentos e outras 300 áreas com risco de inundações, sendo que 58% dos desastres naturais acontecem por meio de inundações e 11% referem-se aos deslizamentos, de acordo com informação dada em janeiro deste ano pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. O ministro também informou que o governo federal vai implantar no país um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais.
Nada mais correto, levando-se em consideração a tendência de aumento na frequência e intensidade desses eventos. Cientistas observam o aumento do nível do mar por causa do derretimento das calotas polares e o aumento da temperatura média do planeta em 0,8ºC. Vale ressaltar que acima de 2ºC, os efeitos seriam considerados potencialmente catastróficos, comprometendo seriamente os esforços de desenvolvimento dos países. Em alguns casos, países inteiros poderiam ser engolidos pelo aumento do nível do mar e comunidades teriam de migrar devido ao crescimento das regiões áridas.
A pesquisa Ba­­rômetro Ambiental 2010, realizada pela Market Analysis em parceria com a GlobeScan, aborda as opiniões e reações do público consumidor frente a temas como as mudanças climáticas e a crise ambiental. Portanto, o estudo serve como guia ao identificar e monitorar as tendências que contribuirão para entender os prováveis rumos que o Brasil e a comunidade internacional poderão seguir a respeito do aque­cimento global.

Como o Brasil e o mundo percebem a questão
A seriedade com a qual o brasileiro avalia as mudanças climáticas (ou o aquecimento global) é muito superior à verificada internacionalmente, o que mostra que o brasileiro percebe a gravidade, apesar de acreditar que as soluções devam ser buscadas principalmente fora do Brasil (como pauta da agenda internacional).

Gravidade de problemas ambientais no Brasil e no mundo - percentual de alta seriedade
O brasileiro aponta a ausência de um espírito ético e respeitoso do homem em relação ao meio ambiente como a causa principal das mudanças climáticas. A poluição e o desmatamento aparecem no segundo plano da equação preocupante, formada pela ação humana e a reação da natureza.
O estudo constatou algumas causas apontadas para os padrões climáticos extremos: em primeiro lugar, com 34%, o desrespeito ao meio ambiente; com 20%, a poluição; 16%, o desmatamento; em quarto lugar, com 9%, o aquecimento global/efeito estufa; 4%, as queimadas; 0,4%, a tecnologia; 6%, outros; e, ainda, 11% dos entrevistados não sabem/não responderam.
O brasileiro reconhece a gravidade dos problemas ambientais, mas desconfia da dimensão dada às mudanças climáticas. Tal suspeita existe desde 2008, e pouco se alterou: cerca de seis em cada dez consumidores acreditam que os perigos das mudanças do clima são exagerados, ao passo que quatro em cada dez discordam dessa avaliação.
Assim, contrários à tendência de debate vista no cenário mundial, marcada por um equilíbrio entre a percepção de exagero e a confirmação da dimensão dada ao problema, a maioria dos consumidores brasileiros pensa que os perigos das mudanças climáticas são superestimados.
Cerca de seis em cada dez consumidores acreditam que os perigos das mudanças do clima são exagerados, ao passo que quatro em cada dez discordam dessa avaliação.

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