Projeto Mucky

Por: Revista Filantropia
01 Setembro 2002 - 00h00
Sagüi macho, tufo-preto, desnutrido, rabo pelado, corda amarrada à cintura e entranha em sua musculatura. Seu “carinhoso dono” cansou, não o quer mais. Para salvá-lo, foram necessárias várias cirurgias e cuidados intensivos. Seu nome é Mucky, o precursor do Projeto Conservacionista Mucky.

Em 1985, residente no bairro do Limão, a publicitária Lívia Maria Botar, hoje ambientalista, recebeu Mucky e, após muito pesquisar, manter intercâmbio com especialistas e desenvolver uma metodologia muito peculiar, resgatou muitos outros “Muckys”.

Em 1992, deu-se início ao processo de legalização no Ibama como Criadouro Conservacionista. Em meados de 1996, o Projeto, por exigências do Ibama, mudou-se provisoriamente para uma área rural de Campinas (SP).

Desde março de 1997, o Projeto Mucky está instalado em Jundiaí (SP), cuja sede foi adquirida definitivamente em novembro de 2001.

O projeto Mucky é uma ONG, e não um órgão de utilidade pública, que beneficia atualmente a mais de 207 sagüis de diversas espécies, trabalho que vem realizando há 17 anos. Esse Projeto - único do gênero no Brasil - socorre, recupera, mantém pesquisa, busca a procriação das espécies e tem objetivos de reintegrar os sagüis à natureza. Realiza, também, um trabalho de combate ao tráfego de animais silvestres, por meio da educação ambiental.

Objetivos

Os sagüis são os menores macacos do mundo. Algumas espécies são encontradas nas florestas da América Central, mas o maior número deles está localizado na América do Sul, especificamente no Brasil. Com a avançada destruição de seus ecossistemas, como o cerrado e a Mata Atlântica, os sagüis tornam-se presas fáceis para o homem que, sem acesso à educação, às condições essenciais de alimentação e saúde, lançam mão do tráfico de animais silvestres para sua própria subsistência.

O Projeto Mucky trabalha com esses sagüis oriundos do tráfico.

“Nosso objetivo é dar prosseguimento ao trabalho de assistência e manutenção dos atuais sagüis, bem como prosseguir com a recuperação daqueles que chegaram com seqüelas causadas devido a tratamentos inadequados e que estão impossibilitados de reintegração, além de dar continuidade ao trabalho de resgate e recuperação de futuros sagüis provenientes do tráfego de animais silvestres, buscando a reintrodução dos sagüis em seus habitats”, diz Lívia Botar, principal responsável pelo Projeto.

O Projeto Mucky, em seu contexto geral, emprega um modelo amplamente reprodutível, já que o tráfego de animais silvestres não é um problema apenas local, estando presente em todo o território nacional e, também, globalmente.

Sendo os sagüis edêmicos, a discussão da importância da permanência deles em seus locais de origem associada a um programa de educação ambiental, apresentando as conseqüências de maus tratos nos animais e desequilíbrio que pode ser acarretado a partir da retirada deles desses locais, está sendo uma ferramenta essencial para programas de combate ao tráfego de animais silvestres.

A sensibilização da população para a problemática do tráfego de animais silvestres depende de um trabalho sistemático e efetivo que possa nortear e tornar viável a proposta apresentada, sem desconsiderar os desafios face ás dificuldades provenientes dos problemas sociais enfrentados.

Relevância do projeto
para a sociedade

Somente um trabalho consistente de preservação das diferentes espécies, almejando variedade genética, a garantia de permanência animal em habitats remanescentes e a orientação da população (especialmente, moradores de locais onde vivem esses animais) beneficiará a manutenção de um equilíbrio entre o homem e a natureza, concretizando estratégias conservacionistas.

O trabalho de criadouros preservacionistas, como o Projeto Mucky, justifica-se pela busca desse equilíbrio necessário para a manutenção de vida, sua produção e reprodução.

Assim, torna-se imprescindível, face aos desafios impostos pelo tráfico e mau trato dos animais, garantir um espaço de recuperação, trato, conservação, pesquisa, conhecimento e divulgação, na tentativa de contribuir e de garantir uma relação homem/natureza, na qual o respeito e a compreensão possam emergir, gerando a possibilidade de uma vida mais harmônica, menos degradante, gerando comportamentos menos agressivos e destrutivos. Para tal, torna-se necessária uma ação conjunta envolvendo o Projeto Mucky e a sociedade em geral, buscando um esforço amplo e mútuo de cooperação e trabalho.

Estrutura

Instalado em uma área de 9.000 m2, com 580 m2 de área construída, conta com 63 viveiros, enfermaria, cozinha para preparação dos alimentos dos sagüis, salão e centro de educação ambiental.

Possui um total de 13 funcionários, conta com a participação de seis veterinários de diferentes especialidades e de 14 voluntários, que atuam direta e indiretamente no Projeto.

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