Ser humano, agente de conservação

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
01 Setembro 2004 - 00h00
Durante alguns anos, uma área de 31 hectares - equivalente a 40 campos oficiais de futebol - foi pivô de um entrave muito comum: a ânsia imobiliária contra a preservação de uma área verde em um dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro. Ou o espaço se tornava uma montadora de automóveis, ou um parque à disposição dos cidadãos. O desfecho desse embate parece óbvio, mas felizmente a obviedade foi vencida pela mobilização dos moradores da Freguesia, que fizeram passeatas para criar o Bosque da Freguesia, garantindo, assim, a preservação do espaço verde. Na liderança do movimento, estavam organizações da sociedade civil, dentre elas a Grude (Grupo de Defesa Ambiental), a Amaf (Associação de Moradores e Amigos da Freguesia), a Amju (Associação de Moradores do Jardim Urussanga) e a SOS Verde.Em 1992, a prefeitura criou por decreto o Parque do Bosque da Freguesia que, após a urbanização, passou a ser mantido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Essa conquista foi marcante, pois era inédito o fato de os proprietários do local terem cedido 60% do terreno para a criação do bosque, e ainda terem investido em infraestrutura. Atualmente, existem dois quilômetros e meio de trilhas para caminhadas, quadras com atividades esportivas, oficinas, biblioteca, auditório e anfiteatro.Grupo de Defesa EcológicaA área ambiental tem papel de destaque no protagonismo social, até mesmo em função das demandas geradas pelo modus operandi da sociedade moderna. A própria cidade do Rio de Janeiro foi palco, em junho de 1992, da ECO92, a segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Na ocasião, 114 chefes de Estado, 10 mil jornalistas e 40 mil militantes de 3.200 ONGs se reuniram, encerrando o evento com a assinatura da Agenda 21, um documento de 840 páginas que prevê uma série de estratégias globais de desenvolvimento sustentado.Entre as organizações participantes estava o Grude, Grupo de Defesa Ecológica, associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1986. "A organização nasceu com a missão de melhorar a qualidade de vida da população, por meio da defesa e proteção do meio ambiente, da biodiversidade, dos recursos naturais e de áreas ecologicamente importantes, estimulando a implementação efetiva de unidades de conservação", explica o secretário adjunto do grupo, Sérgio Luiz May. Ao tomar frente na ampla mobilização comunitária pela defesa da área de mata atlântica, o Grude demonstrou sua decisão em utilizar a educação socioambiental para colaborar com a sustentabilidade local e planetária. Essa linha de atuação está presente nos programas e projetos empreendidos pela organização, voltados para jovens e crianças das comunidades de baixa renda na cidade do Rio de Janeiro.Agente Jovem''O Projeto Agente Jovem pretende inserir na vida social e profissional adolescentes em situação de risco'', afirma Sérgio. Para tanto, o Grude promove a capacitação como forma de estimular e desenvolver o pleno exercício da cidadania, com a orientação individual e coletiva dos moradores sobre a melhor maneira de se apropriar e utilizar os equipamentos da comunidade, dentro do Programa Favela Bairro, da prefeitura do Rio.Atualmente, fazem parte das ativida-des475 jovens de 19 comunidades da cidade do Rio de Janeiro. "A proposta de capacitação se concentra na área de desenvolvimento social e busca formar um agente capaz de prestar orientações mínimas sobre o patrimônio público e os bens coletivos, educando sócio e ambientalmente o jovem cidadão", completa o secretário adjunto. O aluno atua repassando os conhecimentos adquiridos aos demais jovens e moradores de sua comunidade e, posteriormente, aos estudantes de sua escola.Um diferencial marcante dessa iniciativa é seu material didático. São três cartilhas educativas criadas especialmente para a capacitação, que transmitem conhecimento com uma linguagem que os jovens dominam, motivando-os, de forma interativa, a conhecer a própria comunidade e entender seu papel na promoção do equilíbrio e justiça social. "Não há dúvidas de que nosso material didático tem grande responsabilidade no sucesso da formação dos jovens", afirma Sérgio.Em 2002 e 2003, o Agente Jovem capacitou 500 jovens moradores de 20 comunidades de baixa renda do município do Rio de Janeiro como agentes locais de cidadania e conservação dos bens públicos coletivos. O projeto contou com o apoio da Secretaria de Estado de Ação Social (Seas), Ministério de Previdência e Assistência Social, Ministério da Justiça e Secretaria Municipal de Habitação (SMH).Trupe da CriançaDesenvolvimento de atividades artísticas com cerca de 90 crianças e jovens de rua, entre 6 e 17 anos, em horário complementar ao da escola, por meio de atividades pedagógicas, artísticas e culturais. Este é o projeto Trupe da Criança, mais uma iniciativa executada pelo Grude e que também faz parte das ações sociais do Programa Favela Bairro, da prefeitura do Rio. Seu objetivo é afastar crianças e adolescentes da criminalidade e do trabalho precoce nas ruas da cidade.O programa já funciona nos bairros da Tijuca, Grajaú, Vila Isabel e na Zona Sul. A equipe aborda as crianças e adolescentes nas ruas da cidade, convencendo-as a participar. "Capoeira, música, trapézio, artes plásticas, malabares, leitura e narração de estórias, máscaras, teatro, dança, essas são algumas das oficinas oferecidas pelo projeto", informa o secretário. As famílias que tiverem os filhos participando do projeto recebem uma bolsa, que pode ser retirada, pelo responsável, por meio do cartão da prefeitura. Dessa forma, há um incentivo para que as crianças permaneçam na escola regular, a fim de que possam participar da Trupe da Criança e ter acesso a uma das 154 bolsas no valor mensal de R$ 110 cada.O programa oferece também reforço escolar, passeios e jogos. "Nos fins de semana, a turma participa de atividades culturais, esportivas e de lazer para os beneficiados do projeto e seus familiares. É interessante perceber que os pequenos artistas já estão realizando apresentações em diversas instituições e espaços públicos da cidade", comemora Sérgio Luiz May.Segundo o site da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, já está prevista para este semestre a expansão do projeto para a Barra da Tijuca.Parceria com o poder públicoO Grude aplica na prática o conceito de parcerias intersetoriais, mantendo relações de trabalho com órgãos governamentais, empresas e instituições do Terceiro Setor. Assim, consegue ampliar sistematicamente o impacto de suas ações, notadamente nos casos dos projetos Agente Jovem e Trupe da Criança. "O reconhecimento pelos resultados dos trabalhos em parceria possibilitaram à organização fazer parte da Rede Planet Society da Unesco e credenciar-se junto ao Conama-CNEA. Além disso, o Grude é membro do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Rede Estadual de Educação Ambiental; da Apedema-RJ; do Centro de Referências do Movimento de Cidadania pelas Águas; Rede de ONGs de Mata Atlântica e do Fórum 21 para implementação da Agenda 21 aqui na cidade do Rio de Janeiro", esclarece Sérgio.Fica claro que o esforço em empreender e manter parcerias com os diversos atores sociais, sem perder de vista o foco das ações, deve estar entre as estratégias das organizações, a fim de que seja ampliada a possibilidade de cumprimento de sua missão.--
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