Uma visita ao Solo Sagrado

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
01 Janeiro 2003 - 00h00
Se existem paraísos, um exemplar está bem próximo à cidade de São Paulo, mais precisamente a 25 quilômetros da avenida Paulista, em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo - bairro que preenche com freqüência páginas policiais de periódicos e é retrato de um desequilíbrio social gerador de índices de violência alarmantes. Mas a pauta, neste espaço, é outra: a preservação da natureza e admiração por ela.

Todos deveríamos ter a oportunidade de viver em um lugar parecido com o Solo Sagrado. Sagrado pela beleza, pelo cuidado e pelo respeito à natureza. Sagrado por Deus, que certamente vê nesse espaço sua obra reproduzida pelas mãos do homem.

Uma visita ao Solo Sagrado faz levar ao seu dia-a-dia as experiências que lá foram sentidas

Estamos nos referindo ao Solo Sagrado, sede do Movimento Mundial Mokiti Okada no Brasil, que fica às margens da represa de Guarapiranga. O local já recebeu, desde 1995, milhões de pessoas em busca de paz e tranqüilidade, sensações imprescindíveis para a estabilidade humana, mas freqüentemente perdidas nas grandes cidades brasileiras.

O parque, como o nome diz, é sagrado pela conjunção dos elementos básicos da natureza: terra, lua (água) e sol (fogo). Sagrado também pela intervenção consciente das mãos do homem, que ajudaram a resgatar o meio ambiente, tornando-o mais harmonioso. Foram criadas cascatas, jardins que florescem o ano todo, espaços para meditação, lagos e trilhas convidativas por meio de projetos paisagísticos inspirados na milenar cultura japonesa. Como marco do local, existe um templo a céu aberto, que convida instantaneamente o visitante a uma pausa para reflexões sobre sua condição humana.

Visitamos o Solo em um dia chuvoso. Mesmo sem a motivação de um dia de sol, encontramos guias voluntários extremamente dispostos a ajudar, anunciando a forma de relação interpessoal predominante naquele espaço. Encontramos um grande número de visitantes provenientes de todo o Brasil, reunidos em excursões ou em investidas solitárias. Afinal, o que uma visita ao Solo Sagrado poderia acrescentar para essas pessoas – e inclusive para nós – que visitavam o parque?

As respostas começaram a surgir logo no início da jornada. Imediatamente, fica caracterizada a harmonia entre os elementos da natureza e com os freqüentadores. Por incrível que pareça, apesar de existirem milhares de metros quadrados gramados, cada pedaço é conservado limpo e sem uma pessoa sequer fazendo deles um caminho adaptado. Detalhe: não há placas que proíbam pisar na grama. Itens bastante simples, mas ignorados no corre-corre diário.

Durante a nossa visita, fomos acompanhados pelo chefe do Setor Ambiental, que nos conduziu até o escritório administrativo do Solo. Na sala de espera, notamos a existência de um monjolo feito com bambu (instrumento utilizado para triturar milho ou trigo). O som produzido por aquele aparato apresenta-se em perfeita consonância com o conjunto do parque: suavidade harmônica, fonte inspiradora de paz.

Seguimos nossa visita conhecendo o centro cultural, local que abriga uma réplica de uma típica casa de chá japonesa. Lá, as pessoas recebiam Johrei (uma técnica de energização) e apreciavam uma exposição de quadros produzidos com a técnica denominada pontilhismo. Em cada uma das atividades presentes, havia um convite explícito à apreciação consciente da natureza, e não apenas uma contemplação passiva e reativa.

O BÊ-A-BÁ DO PARQUE:

  • Monjolo – instrumento utilizado pelas fazendas antigas para triturar o milho ou trigo, feito de madeira com uma das pontas em forma de martelo e a outra em forma de concha, que se abaixa quando cheia d’água e
    esvazia, quebrando os grãos com a outra ponta.

    • Johrei – técnica de energização por imposição das mãos, utilizada pelos membros da Igreja Messiânica.

O respeito aos seus freqüentadores, oriundos de todo o Brasil, está presente também nas acomodações e nas estruturas. Há um alojamento para 300 pessoas, além de um refeitório, um centro de treinamento, um posto de saúde e lanchonetes, entre outras facilidades, extremamente necessárias em função das caravanas de voluntários que vêm para prestar ao menos um dia de auxílio. No centro do parque, encontra-se o altar do Deus Supremo Criador do Universo, onde existe uma torre de 71 metros de altura, que cumpre um papel de captador da luz solar, posteriormente dissipada e expandida pelo altar.

Apesar da vontade de detalhar com mais precisão o que pode ser presenciado nesse local, precisamos completar o texto com outras informações. Mas as imagens que ilustram esta matéria, certamente, nos ajudarão a transmitir a mensagem desejada pelos administradores do parque. Faz-se necessário complementar a resposta iniciada linhas atrás, após perguntarmos em que a criação desse espaço pode agregar algo àqueles que o freqüentam e à comunidade? Qual o papel social dessa iniciativa? Imediatamente, percebe-se a preocupação em transmitir a importância do respeito à natureza, base do trabalho no Solo Sagrado.

Essa noção de respeito no contato com o natural pode ser transportada para fora do parque, causando transformações, pequenas ou grandes, no espaço em que cada visitante ocupa. A forma de construção e manutenção do parque é lição constante de como o homem pode interagir harmonicamente com a natureza. Alguns exemplos: canais de condução da água pluvial com degraus para evitar a erosão e o assoreamento da represa de Guarapiranga (que circunda o parque), utilização de adubo orgânico nos jardins e em parte das verduras utilizadas no refeitório, coleta seletiva e reciclagem do lixo e preservação e recriação de parte da Mata Atlântica.

SAIBA MAIS

  • 237 mil metros quadrados

  • Capacidade do espaço: 50 mil pessoas

  • 71 metros – altura da torre de captação de luz solar

  • 1.500 voluntários no primeiro domingo de cada mês

  • 5 mil árvores plantadas

  • Dois milhões de visitantes em
    sete anos

    No Solo Sagrado, a educação ambiental voltada para a sustentabilidade rege as regras do jogo. Cursos e eventos são realizados com freqüência a partir de iniciativas dos próprios administradores e também de organizações sociais que utilizam o espaço para conduzir suas atividades. Dentre outros aprendizados, o parque, criado e mantido por meio da contribuição dos membros da Igreja Messiânica Mundial do Brasil, nos ensina que é possível o desenvolvimento sustentável, mesmo em ambientes urbanos, assim como é viável desenvolver projetos arquitetônicos causando o mínimo de impacto ambiental. Além disso, exercita-se fluência a consciência de nossa responsabilidade para com a grande natureza.

    Fica bastante claro o interesse da Fundação Mokiti Okada em tornar o espaço do parque disponível para a interação com empresas, instituições de pesquisa e organizações – governamentais ou não – visando o desenvolvimento de trabalhos que multipliquem a importância da educação ambiental. Aproveitar essa oportunidade é uma decisão válida e enriquecedora, especialmente quando levamos em conta o papel decisivo que cada um de nós tem na interação com o meio ambiente.

    A FILOSOFIA DE MOKITI OKADA

    “Ao longo de 3000 anos, a humanidade veio se afastando cada vez mais da Lei da Natureza, que é a Lei do Universo, a Verdade. Movido pelo materialismo, que o faz acreditar somente naquilo que vê, e pelo egoísmo, que o leva a agir de acordo com sua própria conveniência, o homem tornou-se prisioneiro de uma ambição desmedida e inconseqüente e vem destruindo o equilíbrio do planeta, criando, para si e seu semelhante, desarmonia e infelicidade.

    As graves conseqüências do desrespeito às Leis Naturais podem ser verificadas na Agricultura, na Medicina, na Saúde, na Educação, na Arte, no Meio Ambiente, na Política, na Economia e em todos os demais campos da atividade humana. Essa situação já chegou ao seu limite. Se continuar agindo assim, é certo que o homem acabará destruindo o planeta e a si mesmo. O propósito da filosofia de Mokiti Okada é despertar a humanidade, alertando-a para esta triste realidade.

    Por isso, cultiva o espiritualismo e o altruísmo, faz o homem crer no invisível e ensina que existem espírito e sentimento não só no ser humano, mas também nos animais, nos vegetais e nos demais seres. O Johrei, a Agricultura Natural e o Belo são práticas básicas dessa filosofia, capazes de transformar as pessoas materialistas em espiritualistas e as egoístas, em altruístas, restituindo ao planeta seu equilíbrio original. Seu objetivo final é reconduzir a humanidade a uma vida concorde com a Lei da Natureza e construir uma nova civilização, alicerçada na verdadeira saúde, na prosperidade e na paz.”

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